A Análise GGBR4 mostra como a Gerdau vem ajustando sua estratégia de capital para enfrentar um ambiente global mais competitivo. No Investor Day, a companhia anunciou uma redução relevante no capex, passando de R$ 6 bilhões em 2025 para R$ 4,7 bilhões em 2026, além de manter o capex de manutenção em torno de R$ 3 bilhões anuais. Esse movimento indica foco em competitividade, com investimentos voltados à redução de custos, otimização de ativos e integração vertical. O objetivo é reforçar vantagens estruturais, como a operação de mineração Miguel Burnier, a expansão em aços planos e a modernização das mini-mills.
Projeções financeiras e valuation
O guidance reforça a disciplina de capital. A companhia projeta forte geração de caixa a partir de 2026, com FCF yield entre 10% e 12%. Atualmente, a ação negocia a menos de 4x EV/EBITDA esperado para 2026, o que mostra múltiplos atrativos em relação ao setor. Confira os principais números projetados pelo mercado: Receita de R$ 70,1 bilhões em 2026, EBITDA de R$ 11 bilhões, lucro líquido de R$ 3,9 bilhões e dividend yield estimado de 4,1% em 2026. Esses indicadores mostram que a companhia pode sustentar retornos sólidos, ainda que o ambiente no Brasil continue difícil.
Projetos de competitividade e EBITDA incremental
O destaque da apresentação foi a expectativa de geração de R$ 1,5 bilhão em EBITDA incremental a partir de três projetos. O projeto de mineração Miguel Burnier, com início previsto para o 4T25, deve gerar até R$ 1,1 bilhão (sendo R$ 400 milhões já em 2026). A expansão de Midlothian, nos EUA, prevista para o 2S26, deve adicionar cerca de R$ 275 milhões. Já a nova unidade de sucata em Pindamonhangaba deve contribuir com aproximadamente R$ 100 milhões. Essa estratégia reforça a eficiência operacional e garante que a companhia possa navegar melhor em ciclos de demanda mais fraca.
Oportunidades nos EUA
As operações americanas seguem sendo um pilar de crescimento. A Gerdau se beneficia das tarifas de aço em vigor, que sustentam preços mais elevados e equilíbrio local. Além disso, a companhia vê forte demanda vinda de setores em expansão, como energia solar e data centers, o que deve compensar a fraqueza relativa na construção civil e na manufatura. Contudo, as negociações do acordo comercial USMCA em 2026 podem alterar as tarifas atuais e representam um risco a monitorar. Ainda assim, a posição em Midlothian favorece a captura dessas oportunidades.
Desafios no Brasil
No mercado doméstico, a competição segue intensa, principalmente pelas importações de baixo custo. A administração reiterou que não espera mudanças estruturais nesse cenário. A demanda deve crescer de forma moderada em 2026, puxada por indústria e setor automotivo, mas com a construção civil em ritmo mais fraco. Nesse contexto, a autossuficiência energética e o projeto Miguel Burnier são fundamentais para manter margens saudáveis.
Recomendação e visão de mercado
Apesar dos desafios no Brasil, a Gerdau mantém posição de destaque entre as siderúrgicas latino-americanas. A empresa combina múltiplos atraentes, resiliência operacional e dividendos consistentes. O BTG Pactual reforça recomendação de compra para GGBR4, com preço-alvo de R$ 20,00 frente à cotação atual de R$ 16,60. O potencial de valorização, somado ao fluxo de caixa robusto previsto para 2026, sustenta a tese positiva.
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Fonte: Research BTG Pactual.
